Vinte&Um: Da realidade de Candido Bugarin para a realidade aumentada

Conheça o desenvolvedor carioca e autor de aplicativos como ROCK IN RIO GO! e Onde Parei?

ORock in Rio não colocou no palco apenas músicos. Também foi a festa de outras carreiras, incluindo a do desenvolvedor Candido Bugarin. Com 21 anos, ele é responsável pelo ROCK IN RIO GO!, um aplicativo para iPhone e Android que trouxe a navegação em realidade aumentada para a Cidade do Rock. Porém, esta não é a única tecnologia que fez parte da sua história. Ex-aluno do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca do Rio de Janeiro (CEFET-RJ), tudo começou lá atrás, com a meteorologia, uma bolsa de estudos e muita vontade de aprender e criar.

“Em 2014, recebi um convite para uma bolsa com o escopo de criar soluções para meteorologia. A partir disso, comecei a ver que poderia trabalhar em outras áreas, entre elas, a computação”, conta Candido que, ao ser indagado se aprendeu a desenvolver na escola, nega. “Aprendi tudo sozinho. O que eu vi lá foi Javascript e um pouco de FORTRAN para mexer nos sistemas, mas 90% eu aprendi sozinho, até hoje”.

Saindo da escola em 2015 com o técnico em meteorologia, sua paixão por tecnologia e desenvolvimento foi crescendo cada vez mais, aplicando-a na sua área. De janeiro a março do mesmo ano, Candido trabalhou com processamento de dados meteorológicos e visualização de dados na Web no Embrapa Solo. Mais tarde, em maio, desenvolveu sistemas, como o Sistema de Alerta de Cheias e o Sistema de Barragens, além de um bot no aplicativo de mensagens Telegram para a divulgação de tempestades de descargas atmosféricas, no Instituto Estadual do Ambiente, o INEA, onde ficou até 2017.

Mesmo nessas empresas, Candido nunca deixou de empreender. Além da Bugarin Meteorologia, empresa criada em meados de 2015, hoje, ele trabalha só. Em um bairro do subúrbio do Rio de Janeiro, dentro do seu quarto e com um MacBook Air, ele passa as manhãs e noites pensando e escrevendo aplicativos para smartphones e tablets, procurando problemas e soluções para facilitar o cotidiano da humanidade, até às 23h, quando vai dormir. Destacando a realidade aumentada em seus projetos, para ele, este é um mercado novo e desconhecido, mas em potencial.

“Não foi nem vontade que me fez trabalhar com isso, foi necessidade. Já tinha uma ideia para museus, para criar um guia, o que não existe no Brasil. Depois, percebi o que era melhor e procurei inventar o meu próprio produto para me diferenciar no mercado e encontrei a realidade aumentada”, afirma.

É a partir dessa ideia que o desenvolvedor se tornou autor de dois aplicativos para iPhone e Android, tendo o ROCK IN RIO GO! como o seu maior sucesso. “O aplicativo foi um conceito que apresentamos (Candido e sua equipe de vendas) a eles (o Rock in Rio), que era uma realidade aumentada para navegação, e eles gostaram bastante”. Criado para operar dentro da Cidade do Rock, os usuários ganharam a possibilidade de se orientar geograficamente para localizar palcos, atrações e pontos comerciais pelo celular. Esta é considerada uma das primeiras experiências de Candido com o uso da tecnologia.

Para ele, o aplicativo teve um sucesso bem interessante, embora não tenha sido rentável. “Comercialmente, não ganhamos muito, mas podemos ver a reação do público. Como era algo inédito, não sabíamos como ia ser. Podia ser algo bom e ruim”, explica. “O público gostou. Essa é o único comentário que posso fazer, sendo que a maioria das pessoas falaram algo positivo, havendo críticas apenas sobre a bateria, o que resolvi na mesma hora, e a segurança, pois os usuários ficaram com medo de serem roubados durante o evento”.

Com o sucesso anterior, a realidade aumentada continua em primeiro plano. Este mês, o aplicativo Onde Parei?, uma ideia antiga que também se tornou realidade, foi lançado na loja de aplicativos App Store, para iOS. “Ele é um conceito que tenho há bastante tempo, para o usuário saber onde parou o seu carro, bicicleta, moto e camelo”, brinca, “sempre pelo celular”. Segundo Candido, o aplicativo resolve a dificuldade que as pessoas têm para ler mapas. “O usuário marca a localização do veículo e é guiado por uma seta apontando, na tela, para a direção do carro, com distância e, até mesmo, altitude, se a tecnologia estiver disponível no celular”.

Sem parar de trabalhar nem por um segundo, outros projetos estão em andamento. Entre eles estão o aplicativo para o clube de futebol Fluminense e para o shopping Cittá América, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, sem contar reuniões e acordos em andamento com outros e possíveis novos clientes. Os resultados, conta, devem chegar ainda entre novembro e dezembro desse ano.

Contente com o seu sucesso e com as partidas de tênis à tarde, Candido brinca sobre o futuro. “Quero ficar rico e largar o Brasil (risos), mas também quero contribuir com filantropia”, revela um dos seus desejos atuais, impedido apenas pela falta de recursos. “Eu quero abrir uma escola de tecnologia voltada para comunidades, e a partir dessa escola, levar os funcionários para a empresa, fornecendo educação e oportunidade para essas pessoas, com excelência. Eu prezo muito pela educação e seria muito injusto eu largar o país assim. Estudei em uma instituição pública federal, ou seja, o país investiu em mim”, explica.

Bruno De Blasi é estudante de Jornalismo e editor da Vinte&Um

Publicado originalmente na revista Vinte&Um.