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Vinte&Um: O fim das VPNs na China

A partir do dia 1ª de fevereiro, nenhuma VPN poderá ser acessada na China

Embora a China seja uma das maiores economias do mundo, é também um dos países onde a liberdade é quase inexistente. A ditadura chinesa impõe uma dura censura em cima dos meios de comunicação. Nessa linha, não é preciso pensar muito para chegar ao consenso de que a internet está na mesma situação. Mas isso pode piorar, a partir do ano que vem.

O governo chinês decretou que, a partir de 1ª de fevereiro, nenhuma VPN pode ser acessada de dentro do país — a não ser, é claro, de empresas, com autorização dos censores. Em outras palavras, uma das únicas formas que os chineses têm para acessar conteúdos bloqueados, está perto do fim. A partir disso, ou você se conforma com o que está liberado, ou procura métodos obscuros — e até perigosos — para ler um simples jornal.

Isto só é possível graças ao conhecido “Grande Firewall”. Em função das leis locais, é a infraestrutura responsável por limitar o que os chineses acessam e podem fazer na internet. Sendo assim, apenas aquilo que o governo autoriza, é acessível. Mas não pense você que a censura é aplicada apenas para sites de pornografia, drogas, e afins, como até o Reino Unido desejou: as limitações vão desde redes sociais, até jornais, como o New York Times.

O Index librorum prohibitorum é enorme. De acordo com a Wikipedia, mais de 2.700 sites estão ou já foram bloqueados na China, com exceção de Hong Kong e Macau. Se não é com serviços do Google, a maioria é composta por redes sociais e sites de notícias. E não para por aí: o Grande Firewall é responsável por limitar os sites pornográficos e de relacionamentos, também.

Nesta leva, dá para entender o uso intenso de VPNs no país. Uma vez acessadas, essas redes privadas permitem que as conexões sejam intermediadas por servidores, fazendo com que haja uma ponte entre o site acessado e o seu computador. Sendo assim, além de mascarar, para os provedores, o que é acessado, caso o servidor esteja em outro país, sites bloqueados se tornam acessíveis, independente da censura.

De forma que a decisão do governo chinês é, justamente, para coibir a liberdade de expressão da população, a atitude é lamentável. Uma vez que a internet se baseia em um princípio de narrowcasting, onde todos se comunicam entre todos, em rede, a censura, basicamente, implica na queda deste e de outros pilares da internet.

Com o fim das VPNs na China, a censura do governo ganha mais tentáculos. Se hoje já é difícil, amanhã será ainda pior para se ter notícias do exterior que não sejam difundidas por uma tática orwelliana de regulamentar o que é visto pela população, e, mais ainda, de se criticar o governo e expor a realidade do país.

Em outras palavras: mesmo com o uso intenso de smartphones no país,sendo um dos países que mais exportam eletrônicos para serem utilizados sem lastro, na China, um simples jornal norte-americano pode te levar à prisão.

Bruno De Blasi é editor da Vinte&Um e estudante de Jornalismo.

Publicado no dia 11 de julho, na Vinte&Um