em Cotidiano

A importância de um plano de contingência e a dificuldade de tê-lo

Enquanto os meus pais não achavam que isso era um problema sério, os meus avós sempre questionaram o meu uso de internet. Era de, pelo menos, 4h por dia, com direito a entrar em desespero quando a conexão caia. Hoje, tudo mudou um pouco. Logo cedo, ouvi:

– O que vamos fazer em casa, se nem internet tem?

Foi minha vó quem soltou essa frase, depois de algumas horas sem internet, em casa. Se eu voltasse aos meus 16 anos, esta frase me assustaria. Porém, tornou-se costume. Em questão de proporção, o meu consumo é menor que o dela. Frequentemente assistindo vídeos no YouTube, Facebook e WhatsApp, há até queixas de que 32GB de memória interna é pouco. Meus avós, hoje, ficam mais tensos que eu, com uma queda de internet.  “Novos tempos”, pensei.

Ontem (sexta-feira), foi momento de eu ser testado a respeito. Às 19h, a conexão caiu, só retornando às 16h do dia seguinte. Estava calmo, mas com péssimo pressentimento. Eu precisava trabalhar, com prazo para entregar o meu serviço às 7h30 do dia seguinte. Ou seja, eu precisava dar um jeito nisso de qualquer maneira.

Entrei em contato com a TIM Live, para solucionar o problema, sem boas notícias, no momento: me pediram 24h. Era estranho, pois, cliente desde 2014, nenhuma queda de conexão durou mais que 3h ou necessitou de uma visita técnica. A operadora sempre cumpriu com um bom serviço, entregando velocidades até acima do contratado. Para o Brasil, isto é algo anormal.

Depois de insistir ao telefone, nada resolvia. Fui dormir na expectativa de vê-la funcionando de manhã, mas nada aconteceu. Em primeiro lugar, entrei em pânico. Afinal, se eu estava cotado para resolver isso, como ia fazer? Meu trabalho consome cerca de 3GB de dados por dia, e o meu plano do celular é de apenas 4GB, sendo que 2GB já haviam sido consumidos. Depois, a velha história: será que eu poderia ter evitado isso?

Talvez, sim. Quer dizer, por sorte, a consciência bateu, e o cliente não foi lesionado por um erro da operadora: antes de dormir, acionei um superior, relatando o ocorrido, e quando acordei, entrei em contato, designando a tarefa para outro. Porém, por que eu não poderia ter outros pontos de acesso? Por que eu não poderia ter um plano B, para estar em outro lugar? Muitas perguntas, poucas respostas e nenhuma solução.

Independente do negócio que precisa ser feito, um plano de contingência precisa estar disposto. Usando os meus avós como exemplo, por conta do alto consumo de conteúdos audiovisuais, sempre escolhi um bom plano de dados para eles, caso a conexão fixa tenha problemas. Da mesma maneira, devo estar preparado para qualquer coisa. Afinal, e se eu fosse apenas um freelancer, só?

Vendo essas situações, recordo sempre da importância de notebooks. É sempre bom tê-los por perto, pois, se eu pudesse ter dormido em outro lugar, para realizar a tarefa, talvez pudesse ter fugido disso. De outro modo, se realmente vingar de trabalhar em home office, uma conexão de backup pode ser, também, uma solução.

Só que aí bate inúmeras questões, e tenho que aceitar a realidade de viver no Brasil: ambas têm alto custo. Por conta tarefas profissionais, dependo de bons computadores, e até, mesmo, Macs para trabalhar. Quanto custaria um MacBook Pro, que me daria tal proveito? No Brasil, esta cifra está, no mínimo, R$ 11 mil, enquanto um Dell, com boa performance, está na casa dos R$ 4 mil. Enquanto isso, quanto custaria para ter uma conexão a mais, de internet? Entrando no site da NET, não sairia por menos de R$ 115,90 para 15MB de download, 1MB de upload – o que mais preciso – e um limite de 80GB. Atualmente, pago R$ 79,90 por 35MB de download e 20MB de upload, na TIM Live, sendo ilimitada.

Em tempos cujas relações de trabalho estão em discussão por causa da reforma trabalhista, precisamos pensar, também, nos custos operacionais para que isto aconteça. Equipamentos de informática estão custando uma fortuna, por conta dos impostos (principalmente) e da crise. As operadoras brasileiras, conhecidas pelo serviço caro e instável, sofrem com alíquotas de quase 50% – baseado em faturas do Rio de Janeiro –, sendo desviadas aos consumidores. Tem a energia, custos de aluguel, burocracias estatais para manter um CNPJ de pé, protecionismos, além de outras coisas. Ou seja, uma bola de neve sem fim.

Embora seja um empregado, e não empregador, trabalhando em home office dá para ter uma simples noção do quanto esses fatores são negativos e prejudiciais aos donos de empresas, startups, seja lá o que for. Obviamente, fico pensando no futuro, quando realizar o meu desejo de ser sócio ou dono de alguma agência/empresa, e pensar que não posso aumentar o salário dos meus funcionários ou contratar mais gente, por causa disso, e ainda sofrer com as soluções fracas que são oferecidas para CPFs e CNPJs.

Novamente, retornamos a esta indignação: trabalhar no Brasil é caro, e, em momentos de crise e desemprego, isto fica ainda pior. Levando esta realidade adiante, jamais tornaremos a ter os resultados esperados para um bom desempenho econômico. Está na hora de mudar as coisas.